APOTEOSE TRANQÜILA,
QUEM BRILHOU FORAM AS CRIANÇAS
Por: CLÁUDIO MONTEIRO
foto:
Canindé Soares

O futuro folião já
desfilando
no bloco infantil Palhacinho:
na barriga da mamãe
Passavam das três horas da madrugada do domingo para esta segunda-feira
(08/12) e ainda haviam muitos foliões nas adjacências do Corredor da
Folia, a chamada "Área da Pipoca" -- ruas onde o povão, que
não pode pagar os elevados preços para desfilar nos blocos ou ter acesso
aos camarotes e arquibancadas, se comprime para assistir uma
passagem "morna" dos blocos em seu percurso para dar a segunda volta
pelo Corredor.
Oficialmente o Carnatal 2003 terminou pontualmente a uma hora da
madrugada -- conforme determinado pelo Ministério Público
-- quando o som do trio elétrico da banda Cheiro de Amor foi desligado
pela organização, estando todos os componentes do bloco Cheiro ainda na
avenida. Prejudicados pelo atraso dos blocos anteriores, os foliões ainda
ficaram gritando o nome da nova vocalista da banda, Alyne Oliveira, e
pedindo bis. Mas não houve como. O jeito foi prosseguir o
desfile ao "som" da lua cheia que banhava a avenida.
Mais foi no mesmo prejudicado bloco Cheiro, que se encontrava o maior número
de mulheres prejudicadas: cordeiras com 50, 55, 60 anos de idade trabalhando
a noite toda no pesado serviço de cordeiro (muitos homens não agüentam) em
troca de "míseros 8 reais e um pão com cheiro de carne", como dizia d.
Matilde (nome trocado para evitar represálias a ela), 57 anos, com as mãos
esfoladas pela corda.
foto:
Canindé Soares

No estreante Bloco Cheiro, a
maioria dos "cordeiros" eram
senhoras e velhas: 8 reais por uma noite de sacrifícios...
Alheias a tudo que não fosse alegria, o
grande destaque mesmo da noite ficou com a ingenuidade e criatividade das
crianças e dos pais. Elas desfilaram no Palhacinho, único bloco infantil do
evento ( o
Baba Baby teve sua apresentação cancelada e os foliões foram agregados ao Palhacinho) e fizeram a festa. Chamaram a atenção, diferente da mesmice dos
blocos de adultos, as fantasias originais, os adereços, as pinturas e
a criatividade, sobretudo. Um casal, por exemplo, levou os filhos pequenos
para se divertirem confortavelmente instalados em dois carrinhos de
supermercado.
No tocante à organização das quatro noites, apesar de muito ainda precisar
ser feito, é preciso registrar que os procedimentos melhoraram em relação a
anos anteriores. Da mesma forma a segurança também melhorou e a violência,
surpreendentemente diminuiu. Bem como foi melhor reprimido o chamado loló, anteriormente largamente consumido dentro do Corredor. Na esfera de
atuação dos PMs houve abusos, mas em menor número. Quanto ao
volume de ocorrências policiais, de acordo com o comandante do Policiamento
da Capital, coronel PM Marcondes Rodrigues, este ano foram registradas 116,
o que significaria cerca de 30% menos que no do ano passado. No balanço
geral pode-se dizer que foi um Carnatal tranqüilo.
foto: Canindé
Soares

No domingo, no Galo do Sol, Almir Rouche voltou
com o frevo e as músicas do carnaval tradicional,
tão reclamadas na noite anterior
foto: Canindé
Soares

Ufa!!! , finalmente a folia acabou. Vou para casa
dormir até 2004...
Não deixe de ler as reportagens
:
LEIA
AQUI A MATÉRIA DE ABERTURA DO CARNATAL 2003
CLIQUE
AQUI E CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA DA PRIMEIRA
NOITE (QUINTA-FEIRA)
VEJA
AQUI A COBERTURA DA SEXTA DE CARNATAL
CLIQUE
AQUI PARA LER A REPORTAGEM
DO SÁBADO DE CARNATAL