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Um acidente, no meio do desfile, quase empanou o brilho da festa encerrada por Ricardo Chaves em alto-astral


 Foto: Valmir Queiroz

              SUSTO E ALEGRIA                        
              NO FINAL DA FESTA                     

                                                                                                       foto: Canindé Soares

Trio do bloco Caju, puxado pela banda Patchanka, que sofreu grave
acidente no percurso da Pipoca: por sorte ninguém se feriu

               Um grande susto, no meio do desfile --  que por pouco não se transformou numa tragédia  --  e muita alegria, no final,  fecharam a festa na última noite do Carnatal 2002.
                  Por responsabilidade múltipla --  da Cosern, que realizou o serviço; da Destaque, empresa organizadora, que deveria checar a altura; e do poder público que deveria fiscalizar o trajeto diariamente,   --  um fio de energia, instalado abaixo da altura mínima, foi levado de roldão, por volta das 21 horas do domingo (08),  pelo trio da banda Patchanka, que puxava pela primeira vez o  bloco Caju.  O fio ligava postes de iluminação extra, colocados especialmente para o Carnatal, na rua Amintas Barros, próximos da concessionária AutoBraz. Com o impacto, dois postes foram arrancados violentamente e outros três sofreram inclinação. Por absoluta sorte, os pesados postes de concreto foram amparados pelo próprio trio, impedindo que caíssem sobre a multidão da que se aglomerava na pipoca e no interior das cordas do bloco. Apesar do pânico que se seguiu, ninguém saiu ferido.
              Um morador do prédio vizinho, afirmava, revoltado, " é uma irresponsabilidade. Outros trios já tinham tido que usar vara para levantar o mesmo fio". O tenente-PM Andrey, que estava  "cerca de  20 metros do local" do acidente afirmou que "foi um milagre. Se os postes tivessem caído no povo, muita gente teria morrido".  Avaliação confirmada pelo cabo J. Alberto, do Corpo de Bombeiros,  primeiro a atender a ocorrência; "foi sorte, poderia ter havido vítimas fatais".  No carnaval deste ano, na Praia da Redinha, um acidente exatamente do mesmo tipo custou a vida de um componente da banda Fera Samba e provocou ferimentos em vários foliões.
          
                                                                         
    
foto: Valmir Queiroz

Dona Fausta, 75 anos de idade, 5 de avenida e fiel ao bloco.
Todo ano no Galo do Sol

                                                                        
              
Por conta do acidente, que fez o trios ficarem parados  por quase uma hora, os blocos tiveram que acelerar a marcha para poder cumprir o horário de finalização do evento determinado pela Justiça, que era de 1 hora da madrugada. O que prejudicou  alguns blocos, que passaram meio à toque de caixa, mas acabou  favorecendo que a festa acabasse em alto-astral e alegria contagiante. O último bloco a desfilar  seria  A Barca, que tinha feito uma primeira volta "morna", sem empolgação. Ricardo Chaves, do Bicho Papão, que já vinha bem, inovando com os Cavaleiros do Forró, durante a segunda volta anunciou que ia tentar dar uma terceira volta, com autorização da organização. Acelerou o bloco e a estratégia deu certo: o que poderia ter sido um final melancólico, acabou revertido para animação total. Após as segundas voltas, corrida e não tão empolgantes do Caju, Coco Bambu e A Barca, o Bicho Papão apontou no início do corredor faltando cerca de 15 minutos para o encerramento, e arrastou o povão, em contagiante alegria, até o meio do Corredor da Folia, em frente ao camarote da Destaque, tocando e cantando até o último minuto permitido. Eram exatamente 01:00 hora, já desta segunda-feira (09/12), quando o som do trio  foi totalmente desligado. Ainda assim os foliões, saudavelmente misturados com o pessoas da pipoca, continuaram o percurso cantando.

                                                                               foto: Valmir Queiroz
Ricardo Chaves, do Bicho Papão, fez uma terceira volta no Corredor ,
arrastando o povão e encerrando a festa em alto-astral