SUSTO E ALEGRIA
NO FINAL DA FESTA
foto: Canindé Soares

Trio do bloco Caju, puxado pela banda Patchanka, que sofreu grave
acidente no percurso da Pipoca: por sorte ninguém se feriu
Um grande susto, no meio do desfile -- que por pouco não se
transformou numa tragédia -- e muita alegria, no final,
fecharam a festa na última noite do Carnatal 2002.
Por responsabilidade múltipla -- da Cosern, que realizou o
serviço; da Destaque, empresa organizadora, que deveria checar a altura;
e do poder público que deveria fiscalizar o trajeto diariamente,
-- um fio de energia, instalado abaixo da altura mínima, foi
levado de roldão, por volta das 21 horas do domingo (08), pelo
trio da banda Patchanka, que puxava pela primeira vez o bloco
Caju. O fio ligava postes de iluminação extra, colocados
especialmente para o Carnatal, na rua Amintas Barros, próximos da
concessionária AutoBraz. Com o impacto, dois postes foram arrancados
violentamente e outros três sofreram inclinação. Por absoluta sorte, os
pesados postes de concreto foram amparados pelo próprio trio, impedindo
que caíssem sobre a multidão da que se aglomerava na pipoca e no
interior das cordas do bloco. Apesar do pânico que se seguiu, ninguém
saiu ferido.
Um morador do prédio vizinho, afirmava, revoltado, " é uma
irresponsabilidade. Outros trios já tinham tido que usar vara para
levantar o mesmo fio". O tenente-PM Andrey, que estava "cerca de
20 metros do local" do acidente afirmou que "foi um milagre. Se os
postes tivessem caído no povo, muita gente teria morrido".
Avaliação confirmada pelo cabo J. Alberto, do Corpo de Bombeiros,
primeiro a atender a ocorrência; "foi sorte, poderia ter havido vítimas
fatais". No carnaval deste ano, na Praia da Redinha, um acidente
exatamente do mesmo tipo custou a vida de um componente da banda Fera
Samba e provocou ferimentos em vários foliões.
foto: Valmir Queiroz

Dona Fausta, 75 anos de idade, 5 de avenida e fiel ao bloco.
Todo ano no Galo do Sol
Por conta do acidente, que fez o trios ficarem parados por quase
uma hora, os blocos tiveram que acelerar a marcha para poder cumprir o
horário de finalização do evento determinado pela Justiça, que era de 1
hora da madrugada. O que prejudicou alguns blocos, que passaram
meio à toque de caixa, mas acabou favorecendo que a festa acabasse
em alto-astral e alegria contagiante. O último bloco a desfilar
seria A Barca, que tinha feito uma primeira volta "morna", sem
empolgação. Ricardo Chaves, do Bicho Papão, que já vinha bem, inovando
com os Cavaleiros do Forró, durante a segunda volta anunciou que ia
tentar dar uma terceira volta, com autorização da organização. Acelerou
o bloco e a estratégia deu certo: o que poderia ter sido um final
melancólico, acabou revertido para animação total. Após as segundas
voltas, corrida e não tão empolgantes do Caju, Coco Bambu e A Barca, o
Bicho Papão apontou no início do corredor faltando cerca de 15 minutos
para o encerramento, e arrastou o povão, em contagiante alegria, até o
meio do Corredor da Folia, em frente ao camarote da Destaque, tocando e
cantando até o último minuto permitido. Eram exatamente 01:00 hora, já
desta segunda-feira (09/12), quando o som do trio foi totalmente
desligado. Ainda assim os foliões, saudavelmente misturados com o
pessoas da pipoca, continuaram o percurso cantando.
foto: Valmir Queiroz
Ricardo Chaves, do Bicho Papão, fez uma terceira volta no Corredor ,
arrastando o povão e encerrando a festa em alto-astral