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CARNATAL-99


ÚLTIMA NOITE, COM SABOR BREGA ...


Foto: Canindé Soares

Estratégia ou erro de marketing ?

Encerrar o maior carnaval fora-de-época do Rio Grande do Norte -- considerado também uma das maiores micaretas de todo o Brasil -- com a passagem de um bloco trazendo o cantor brega, Reginaldo Rossi, perguntando ao público, várias vezes, "quem aqui é corno, levante a mão", foi ou não uma decisão correta da Destaque Promoções, empresa organizadora do evento ??

Uma avaliação complicada, por que envolve vários aspectos. Inclusive pela grande quantidade de pessoas que acham ele, Rossi, no mínimo engraçado. Mas uma coisa ficou visível: o pique da festa, que vinha num alto astral, caiu e resvalou pelo caminho da baixo nível. No microfone, em cima do trio do Pimenta N'ativa, Reginaldo generalizava, classificando que "todos os homens não prestam, são mentirosos e frouxos. Só quando levam chifre, ficam furiosos e viram machos" ...

Teria sido melhor programar o brega para uma das noites anteriores. Ou mesmo colocar A Barca para desfilar, no próprio Domingo, mas no meio dos outros blocos e não para fechar uma festa que estava com animação, músicas e a folia num ótimo astral. Lá em cima.

A maioria dos blocos repetiu as atrações das noites anteriores. As novidades ficaram por conta da apresentadora e cantora Eliana, animando o estreante bloco infantil Xô Preguiça, e o Jerimum comandado no Domingo de Carnatal pela Banda Beijo.

Confira abaixo como foi a passagem de cada um dos blocos pela ordem de entrada no Corredor:

XÔ PREGUIÇA: As crianças tiveram que enfrentar, além da chuva inesperada, um considerável atraso da estrela do bloco Eliana. De qualquer forma, os baixinhos levaram tudo numa boa e acabaram brincando à vontade.

GALO DO SOL: O bloco repetiu suas performances das duas noites anteriores. Manteve sua marca registrada que é a descontração, divulgando o frevo pernambucano e mantendo viva a lembrança das antigas e bonitas marchinhas carnavalescas.

BICHO PAPÃO: O Bicho estava "o bicho", como bem definia super-alegre Aline, estudante, que sai "desde criancinha". Realmente o bloco estava com bom astral, bem melhor do que na Sexta quando foi puxado pela estrela Daniela Mercury. Confirmando, à exemplo do Sábado, que Ricardo Chaves é mais "a cara do Bicho", se identifica mais com os integrantes.

JERIMUM: O bloco foi o único que apresentou uma atração diferente a cada dia. Sexta foi puxado pela cantora e compositora Ivete Sangalo. No Sábado foi o famoso Netinho . No Domingo veio com a banda Beijo, com a puxadora Gil em cima de uma empilhadeira industrial. Empilhadeira que ergueu a vocalista para entregar flores para a prefeita de Natal, Vilma de Faria, que estava num dos camarotes.

CAJÚ: Depois de ser puxado pelo Timbalada na Sexta de Carnatal, no sábado e domingo O Cajú passou com a banda Cheiro de Amor, que não repetiu a atuação da noite anterior. "Ontem, com absoluta certeza, estava melhor. O som e o astral estavam melhores", reclamava Angélica que saiu pela primeira ano no Cajú.

COCOBAMBU: No Domingo de Carnatal, o Coco veio novamente puxado pelo experiente Durval Lelis, que já tinha puxado no Sábado. O Asa de Águia repetiu e melhorou sua performance como era facilmente constatado no meio da alegria dos componentes: "Foi maravilhoso, hoje. As pessoas estavam mais animadas, mais bonitas", afirmava Luana. Outra foliã, Lucila, também não escondia a alegria : "Hoje o Durval melhorou muito."

FUZUÊ : Único dos blocos a desfilar nos 4 dias de Carnatal, o estreante Fuzuê, puxado por Capilé, mostrou sinais de cansaço. Sobretudo por conta da maratona e da responsabilidade de duas noites seguidas de abrir a festa, e de fechar o desfile do Sábado. Uma das 10 modelos da agência Look , que embelezaram o carro de apoio, Simone Cunha, estampava o cansaço, ao fim da segunda volta: "até ontem, tudo bem. Hoje foi cansativo, muito cansativo".

A BARCA: Trazendo junto com Serginho do Pimenta Nátiva, o rei do brega, Reginaldo Rossi, com um ritmo que nada tem a ver com o Carnaval fora de época, o bloco não despertou os camarotes. A música brega e a falação do cantor ao microfone quebraram o tom do Carnatal ,que vinha num alto astral desde a noite do Sábado.

Algumas das "pérolas" que Reginaldo Rossi disse ao microfone, chegaram a chocar e jogar o nível do espetáculo para baixo: "Dizem que as mulheres de Natal são as mais gostosas do Brasil. Mas são também as que mais colocam chifres". "Os homens do Rio Grande do Norte são os que têm o maior perú do Mundo. Mas são os mais cornos, também". "Levante a mão quem é ou já foi corno aqui". E antes de cantar "Garçon" explicou que fez a música para "homenagear as mulheres", porque "todos os homens não prestam, são mentirosos, e frouxos. Só quando levam chifre e que ficam furiosos e viram machos" .

Até a turma do Papa-Lixo -- o bloco dos garis da limpeza -- normalmente animada, encerrou o desfile em clima desanimado e brega. " De tanto que o Reginaldo Rossi falou, eu já tô me sentido meio-corno" !!, desabafava o gari de nome Assis.

Faltavam 5 minutos para as 5 horas da manhã da segunda-feira de Cinzas...

CLÁUDIO MONTEIRO
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