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ESPÍRITO SANTO DEVE GANHAR PRIMEIRA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) FEDERAL ** Arnaldo César A primeira Área de Proteção Ambiental (APA) federal, que será criada pelo Ministério do Meio Ambiente no Espírito Santo vai situar-se entre os municípios de Fundão e Aracruz, no litoral norte do Estado, visando proteger um total de 1.018,6 km2, dos quais 913,8 km2 em mar e 104,8 km2 no continente. No oceano a área de preservação vai de Ponta das Flecheiras, em Fundão, até as proximidades da Aracruz Celulose (Portocel), em Aracruz, atingindo até 36 quilômetros da costa. Na parte terrestre, os limites ficam entre a rodovia ES-10 e as áreas de influência dos rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim.
O anteprojeto de criação dessa área de preservação federal,
denominada de APA de Santa Cruz, foi entregue em 13 de setembro, em Brasília, ao
ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, por lideranças dos movimentos
comunitários, ambientalistas, empresários e lideranças indígenas.
Estiveram na audiência o presidente da Associação dos Amigos do Rio
Piraquê-Açu em Defesa da Natureza e do Meio Ambiente (AMIP), Guido
Magalhães; o biólogo André Ruschi, da Estação Biologia Marinha
Ruschi; Luiz Cláudio Ribeiro, professor da Ufes e membro da AMIP; o
Cacique Nelson, da Aldeia de Boa Esperança; e Mário Camilo, presidente
da Associação das Empresas de Turismo de Aracruz.
O ministro Sarney Filho garantiu ao grupo que a área será
implantada e que “todos os setores do Ministério serão orientados a
dar prosseguimento a análise e implantação do projeto”. A criação
de APAs em áreas de preservação ecológica faz parte de um projeto do
Ministério do Meio Ambiente e já existem em outras regiões como
Abrolhos e Porto Seguro (BA); em Natal (RN), no Pantanal matogrossense e
em Fernando de Noronha (PE). A de Santa Cruz será a primeira no Espírito
Santo.
Sarney Filho ao receber o anteprojeto afirmou que têm interesse e
está consciente da necessidade de preservar essa região capixaba.
inclusive já até sobrevoou a área no mês de fevereiro.
Determinou, ainda, que o
projeto fosse imediatamente analisado pelo diretor da Unidade de Conservação
e Vida Silvestre, Luiz Márcio Haddad Pereira Santos.
No documento as entidades capixabas argumentam que “essa proposição
é fruto de muitos estudos, debates e dos esforços promovidos por
entidades ambientalistas e comunitárias do município de Aracruz,
entidades ambientalistas e culturais, populares, pescadores, cientistas,
intelectuais, artistas; além de técnicos de órgãos governamentais de
meio ambiente”.
“Como entidades civis entendemos que, ao apresentar nossa proposição
de criação da APA de Santa Cruz, estamos praticando desde já o conceito
de desenvolvimento sustentado manifesto na Agenda 21 Brasileira e
participando da sociedade brasileira que prima por um meio ambiente
preservado e de qualidade”, diz o documento que foi assinado pela AMIP,
Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente, Associação Comunitária
de Santa Cruz, Associação das Empresas de Turismo de Aracruz, Associação
Indígena Tupiniquim Guarani, Casa da Cultura de Santa Cruz, Comissão Espírito-santense
de Folclore, Estação Biologia Marinha Ruschi e Organização Consciência
Ambiental.
O anteprojeto que cria a APA de Santa Cruz coloca que seus
objetivos serão: conciliar os interesses econômicos e ambientais,
admitindo a ocupação e uso controlados; assegurar a integridade da áreas
indígenas e das comunidades ali estabelecidas; estabelecer parcerias para
a busca de alternativas sócio-econômicas, utilização sustentável dos
atributos naturais locais para iniciativas de conservação e
desenvolvimento, emprego, renda e melhoria da qualidade de vida para a
população, integração com instituições governamentais, não
governamentais e da comunidade, de forma de forma a contribuir na
administração e no controle do uso dos recursos naturais; promover o
turismo ecológico e outras atividades em defesa do meio ambiente para
evitar sua descaracterização, provocada pelo crescimento e ocupação
desordenada. **
O repórter
Arnaldo César ( acab@cmv.org.br
) é de Vitória
e está radicado
atualmente em Santa Cruz, de onde acompanha de perto e realiza a cobertura
jornalística da luta da comunidade pela preservação ecológica da
região.
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