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SELEÇÃO DOS MELHORES COMENTÁRIOS ECONÔMICOS DO JORNALISTA
CLÁUDIO MONTEIRO

                PRIMEIRO SEMESTRE DE 2.002

Brasil, 30 de julho a 06 de agosto de 2.002

SPB: NOVAS E PESADAS TARIFAS.
CONTROLE SEU SALDO DIARIAMENTE !


                     Há exatos três meses eu analisava aqui, de forma crítica, o tal do SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro, que o Banco Central ( BC ) estava colocando em prática no atacado e que afetava, até então, apenas mega-corporações ( leia em Comentários Anteriores ). Dizia também que quando o sistema entrasse em vigor no varejo, previsto inicialmente para outubro,  começaria a complicar a vida financeira das pessoas físicas e jurídicas em geral.

                     Pois bem, prepara-se:  o processo foi antecipado e já partir deste primeiro de agosto muitos dos procedimentos em seu relacionamento e de sua empresa com os bancos, na administração de sua conta-corrente, vão mudar. E para pior ! !  Sobretudo em relação aos
saldos em conta e a criação de mais tarifas para você pagar.

                    
O saldo em conta disponível passa a ter um conceito completamente diferente daquele que é adotado internacionalmente. Saldo disponível passa a ser o que você tem no exato instante, minuto da consulta ou do débito. Não serão levados mais em consideração, por exemplo, valores que estejam "em trânsito" como cheques depositados e DOCs recebidos. No caso dos cheques, os de valor até R$ 299,99 serão creditados somente depois de 3 dias  --  que passam a ser 5 dias quando depositados às quintas e sextas-feiras, e mais ainda nos feriados prolongados  --  e os acima de R$ 300,00 que só estarão liberados após 2 dias. No caso dos DOCs, somente no dia útil seguinte ao envio.

                    E aqui um parênteses: o crédito vai demorar mais, porém o débito do cheque ou DOC na conta do emitente continua sendo feito no mesmo dia do depósito. Ou seja:  durante "o trânsito" do dinheiro  --  o interregno de 2, 3, 5 dias em que ele, apesar de ter saído da c/c do emitente, não é creditado na c/c do depositante  --  os bancos irão continuar emprestando  aquele mesmo dinheiro à juros altos, sem remunerar nenhuma das partes..

                    Nessa nova interpretação de saldo disponível, você vai precisar prestar muita atenção. CONTROLE SEU SALDO DIARIAMENTE (pela Internet, mais de uma vez ao dia) e tome cuidado para não pagar encargos financeiros que vão acontecer freqüentemente com quem descuidar por qualquer motivo. Ao usar o limite do cheque especial ou qualquer outro tipo de crédito direto em conta,  sua agência somente vai reduzir ou zerar o saldo devedor quando os cheques ou DOCs já tiverem cumpridos aqueles  dias de compensação que citei acima. Enquanto isso, os  altos juros estarão sendo cobrados.

                    O mesmo procedimento passa a valer também para débitos automáticos de contas de telefone, água, luz, celular; parcelas de empréstimos tomados na sua agência; débito em conta de cartões de crédito; parcelas de seguros e etc. Não adianta mais depositar um cheque de 2 mil reais na primeira hora do dia 9 para cobrir seus pagamentos do dia 10 e sair de viagem tranqüilo, como antes. Se você tiver cheque especial suas contas serão quitadas e você arcará com os encargos financeiros. Caso contrário, suas contas ficarão vencidas, v. vai ter dores-de-cabeça, pagar multa e juros para as concessionárias, correr o risco de interrupção nos serviços; porque aqueles 2 mil só estarão, literalmente, disponíveis na última hora da noite do dia 11...

                    
Forre o bolso, também, pois novas e pesadas tarifas foram impostas pelo BC !

                     Na verdade, sob os duvidosos  argumentos de dar maior agilidade e segurança ao sistema; diminuir o volume de cheques; e facilitar a vida dos correntistas, o Banco Central criou mais uma expressiva fonte de receita para os bancos. Que vão faturar muito mais -- e por exemplos, que você verá abaixo, não é difícil concluir que serão milhões de reais  -- com muito menos custo.

                     A partir de agora passa a fazer parte do nosso dia-a-dia uma nova sopa de letrinhas. Bem salgada. Além do tal SPB  -- que soa mais como Sapos Para os Brasileiros, Soluções Para os Bancos ; estão criadas a CVL (Comissão sobre Valor Liberado) ; a TED (Transferência Eletrônica Disponível) e a TA (Tarifa Adicional) , que vêm se somar à nefasta CPMF !!

                    
Esta tal CVL é uma comisssãozinha que os bancos vão cobrar  quando você ligar para o gerente de sua agência  --  em nome dos inúmeros produtos bancários que ele te vendeu "para fechar as cotas dele",  mas sobretudo em cima de um depósito que você tenha feito  --  e pedir para ele liberar um saque para o mensageiro ou não devolver um cheque que será compensado naquela noite -- que está coberto, mas não "disponível". Cá para nós, esse termo "Comissão" , não soa bem, não é mesmo? Não sei se todos os bancos irão adotá-lo.

                     Quanto à TED  --  sobre a qual o Banco Central propagou que seria a oitava maravilha, pois o crédito é feito na conta do favorecido on-line   --   e que passa a ser realizada a partir de 5 mil reais; veio acompanhada de tarifas que extrapolam o real valor do serviço.  Serão cobrado 8 reais fixos mais (e aí a real novidade extorsiva, tarifa flutuante) 0,07% sobre o valor de cada transferência. Parece pouco? Uma empresa ao fazer uma TED de,digamos,  200 mil  (qualquer loja de eletrodomésticos paga ao fornecedor isso)  vai desembolsar aquela alíquota que dá 140 reais, mais os 8 reais, 760 reais de CPMF . Além da pesada carga tributária a empresa pagará, agora, mais 908 reais extras apenas para quitar uma duplicata do fornecedor. Um absurdo. Não há empresário, que agüente. Depois a Receita Federal e o governo reclamam que há muita sonegação...

                     Já os cheques e DOCs, de valor igual ou superior a 5 mil reais emitidos e  depositados em bancos diferentes, ainda não foram proibidos nessa etapa de implantação do SPB, porém sobre eles já será cobrada tarifas a partir do próximo dia 7 de agosto. Por exemplo, se você conseguiu um empréstimo para comprar uma casa de 100 mil reais, ao passar o cheque para o vendedor vai ter que pagar, além de todas as taxas e altos juros  do financiamento,  uma tal Tarifa Adicional de 0,015% . Vai desembolsar 395 reais extras (380 de CPMF e 15 reais de TA). Se você optar por passar um DOC de sua agência para pagar o imóvel desembolsará mais porque a TA sobe para 0,037%. Serão R$ 427 ( 10 da tarifa do DOC + 37 de TA + 380 reais de CPMF). As duas opções, ainda são mais atraentes que fazer uma TED, em que você pagaria, em cima dos mesmos 100 mil, a bagatela de R$ 458 ( 8 fixos + 70 dos 0,07% de tarifa flutuante + 380 de CPMF). Mas fique atento e consulte, no dia, porque o BC  sinalizou que deve aumentar estas tarifas sobre cheques e DOCs, já em setembro.

                    
Esse SPB é ou não é um SAPO para o cidadão brasileiro engolir ???

                    
Uma ótima semana para todos --  agosto é mês do cachorro-louco. Mas quem inventou o tal SPB, com estas tarifas violentas, não estava nem um pouco doido, e sim lúcido movido por outros interesses...   --  terça-feira (06/08) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!


Brasil, 16 a 30 de julho de 2.002
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Complicações na que o autor foi submetido há 15 dias, forçaram uma nova cirurgia. Em razão disso, excepcionalmente,
o comentário foi prorrogado até a próxima  terça-feira (30)


O REAL E OS BRASILEIROS
CAINDO  NA  REAL ...


                     Passada a justíssima euforia geral dos brasileiros pela conquista do penta na Copa do Mundo do Japão e Coréia do Sul, é hora de voltar à dura realidade da combalida economia de nosso país. Mas não àquela economia que é planejada e imaginada como real nos confortáveis gabinetes do Ministério da Fazenda e do Banco Central, mas sim àquela comprovadamente real que afeta o dia-a-dia do cidadão-torcedor-comum.

                     É bem verdade que o governo aposta que possa prolongar ainda um pouco mais a festa da conquista da seleção canarinho. Não bastasse a maratona dos jogadores iniciada no Distrito Federal --  oportunidade em que o cerimonial do Palácio do Planalto conseguiu que o presidente FHC faturasse dividendos políticos e os heróis ficassem quase o dia todo em Brasília  --  quem vai agora percorrer as 27 unidades da federação será a taça de ouro erguida e beijada pelo ex-menino pobre do jardim Irene e pelo ex-professor de sociologia da USP.

                     Os marqueteiros governistas, a la Médici, na copa de 70,  esperam com isso desviar o foco de atenção do povo da crise que ronda o país. Esperam mais. Esperam amortecer os aumentos exagerados nos preços dos serviços públicos e produtos essenciais como a eletricidade, o telefone, o gás de cozinha, a gasolina, os planos de saúde, as passagens urbanas e rodoviárias e o feijão, que ultrapassou os 70%, e com isso, quem sabe, estancar a queda livre do candidato do governo, José Serra, nas pesquisas e, pelo menos, tentar levá-lo ao segundo turno das eleições presidenciais.

                     Será difícil continuar inebriando os torcedores-cidadãos ou encobrir a realidade que está batendo forte na cara e na estabilidade da moeda brasileira. A desvalorização do Real quebrou todos os recordes desde a sua criação e encosta esta semana na cotação de três Reais por um Dólar. Justamente no momento em que a economia do Estados Unidos é sacudida por sucessivos escândalos de fraudes no balanços financeiros de mega-corporações e, por conta disso, até a recém-criada moeda unificada da comunidade européia, o Euro, está mais valorizada do que o dólar americano.


                     Vê-se, por aí, que não são só causas externas, entre elas o subjetivo risco-país  --  estimado por agências americanas --  que estão provocando turbulências em nossa economia. É evidente que aqui acabam respigando, como de fato estão, as crises da Argentina, do Uruguai e agora a do Paraguai, onde a histórica fragilidade da democracia  descamba atualmente para uma panela de pressão sócio-econômica. Mas as causas internas provocadas por sucessivos erros de política econômica cometidos pela equipe capitaneada pelo ministro Malan, com pleno aval e prestígio do presidente FHC, são extremamente visíveis e não podem ser corrigidas com remendos de final de governo.

                     E o maior dos erros de política é, e foi,  sem dúvida, a opção por priorizar a Economia em detrimento do Social. Erro crasso do atual governo em achar que debelando a inflação, estabilizando a moeda e controlando o déficit nas contas públicas estaria pronto o cenário para o crescimento do país. Ledo engano. É preciso fomentar o desenvolvimento através do quadripé Saúde, Educação, Emprego e Renda para que haja sustentabilidade de qualquer modelo econômico. O arrocho salarial, a partir de um salário mínimo absolutamente indecente, a pesada carga tributária imposta aos empresários, a inconsistente  manutenção de juros oficias altos combinada com a vergonhosa conivência explicita com os juros extorsivos praticados na ponta ao consumidor e o desemprego  são fatores preponderantes no atual quadro de instabilidade.

                 
   A falta de uma política de geração de empregos  se reflete de forma sintomática nos pátios lotados das montadoras. Sem emprego ninguém compra ou troca de carro.  Por outro lado, era a cadeia industrial automobilística que mais gerava empregos diretos e indiretos no Brasil. Era, porque uma coisa é facilitar a vinda de fábricas, criando milhares de empregos para os brasileiros, Outra coisa é facilitar, ou melhor escancarar  --  como foi iniciado no governo Collor e prosseguido nos dois mandatos de F. Henrique  -- as portas para importação de veículos, remetendo bilhões de dólares em divisas para o exterior e gerando empregos, sim, mas além-mar. Aliás, justamente o Japão e a Coréia do Sul saíram das cinzas e se tornaram potências em apenas cerca de 30 anos investindo primeiro em educação, saúde e nas exportações como forma de gerar emprego e renda...

                   
 Uma boa semana para todos --  nenhum país consegue crescimento econômico sem crescimento social   --  terça-feira (30/07) eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
 

Brasil, 02 a 15 de julho de 2.002**
** Excepcionalmente a periodicidade semanal do artigo foi estendida, em razão de cirurgia a qual o autor foi submetido.

O DEVER E A OBRIGAÇÃO DO NOVO PRESIDENTE.

 E A NOSSA RESPONSABILIDADE AO ELEGÊ-LO ?
 


                     Daqui a apenas três meses vamos eleger o novo presidente brasileiro que terá sobre si o dever e a obrigação de realizar  transformações socioeconômicas no Brasil.

                     Dever de desenvolver um projeto que possa levar nosso povo ao patamar de dignidade social. Obrigação de reverter para os cidadãos  uma das mais elevadas cargas de impostos do planeta. Mas em forma de benefícios coletivos palpáveis, e não desperdiçada em caros comerciais de propaganda oficial na TV, como há anos estamos acostumados a assistir por todos os rincões do país.

                     Dever de realizar obras econômicas, sociais e de infra-estrutura básica, mas também realizar obras para o Homem enquanto ser pensante e não apenas como eleitor !  Obrigação, enfim,  de resgatar valores e fazer os brasileiros se sentirem orgulhosos não apenas por serem pentacampeões no futebol. Mas, também, e sobretudo, por serem penta em Saúde;  Educação; Trabalho e Salário Decentes; Dignidade e, acima de tudo, o que não acontece hoje: Respeitados por seus Governantes !!

                     São muitos deveres e obrigações? São! Mas quem não pode com mandinga, não carrega patuá, diz o ditado popular. O político que não estiver disposto a assumir estes, e centenas de outros, deveres e obrigações que não se candidate a presidente da República !! 

                     Nem tampouco reclame ele, depois de eleito e empossado,  da cobrança, da fiscalização, dos questionamentos e do rigor da Imprensa. Esse é, mais do que o papel, o Dever e a Obrigação dos jornalistas profissionais: questionar, denunciar os desmandos públicos e cobrar soluções para os problemas que afligem a população. Os jornalistas e os meios de comunicação tem o dever de ouvir os governantes  --  e o fazem todo santo dia  --  mas tem a obrigação maior de dar voz aos cidadãos, na maioria das vezes destratados ou desamparados pelo Estado.

                    
Agora, e a responsabilidade de cada um de nós, enquanto cidadão-eleitor, nesse processo? É menor que a dos candidatos?  Não. Na verdade é muito maior! Os desastres em termos de presidentes que a história tupiniquim registra, têm a marca de organizações poderosas, de interesses escusos, mas tem também, e em grande parcela, a responsabilidade de todos nós eleitores, que lá os colocamos. Influenciados ou não. A eleição de um presidente da República, de um país como o nosso de 170 milhões de habitantes, não tem  tão alto grau de manipulação que possa por si só ser creditada mais às "forças ocultas" . Não pode mais  ser comparada com a eleição de um vereador ou prefeito de uma cidade pequena, onde ainda impera o voto de cabresto. É diferente. Tem muito sim a ver com o voto inconsciente, com o voto errado, equivocado, induzido.

                   Quem de nós já não fez e ouviu a pergunta de um amigo, parente, ou instituto de pesquisa: vai votar para quem ?? E quem de nós, algum dia, não respondeu ou ouviu a resposta: "Não sei", ou "em ninguém, nenhum presta" , ou ainda "em qualquer um, tanto faz" . Faz e faz muita diferença. É o voto consciente de cada um de nós  --  analisando as diferentes propostas de candidatos e, sobretudo do seus partidos, a seriedade, a honestidade, o passado, as promessas cumpridas ou não  --  que pode levar a eleição de um novo presidente honrado e compromissado com aqueles Deveres e Obrigações, que citei no início.


                  
Agora é a hora. Só temos a oportunidade de transformar o país no Brasil que sonhamos se formos partícipes da história. Use seu voto como arma de defesa democrática. Como o consumidor desrespeitado diariamente que elegerá alguém que vai -- OU NÃO  --  com vontade política e coragem, realizar a tão esperada reforma reforma tributária; determinar a queda dos juros escorchantes; promover a reativação do nível de emprego; a volta da ótima escola pública e do bom hospital público. Um presidente que resgate a sua dignidade na luta diária.!!

                  
Uma boa quinzena ** para todos --  temos nas mãos a responsabilidade do destino do nosso querido Brasil. Vamos marcar um gol de penta, elegendo um presidente decente  --  terça-feira (16/07) **  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
** Excepcionalmente a periodicidade semanal do artigo foi estendida, em razão de cirurgia a qual o autor será submetido.


Brasil, 25 de junho a 01 de julho de 2.002

JUÍZES TERÃO AUMENTO DE 3 MIL POR MÊS.
VOCÊ TEVE? NÃO, MAS VAI PAGAR A CONTA!
   
                          
                
               
 
    No final da semana passada o Senado da República aprovou  --  já quase no início das férias de meio do ano dos senadores  --  em regime de urgência-urgentíssima e por votação simbólica dos líderes dos partidos, um aumento salarial para os juízes federais que causa um rombo no orçamento e indignação nos cidadãos que vão pagar a conta.

                     Em completo descompasso com a conjuntura econômica e a dura realidade salarial dos brasileiros, os parlamentares aprovaram, na calada da noite, um aumento dos atuais e já elevados  14,1 mil e 100 reais para 17 mil e 100 reais de salário mensal para cada juiz da União.

                    
São nada mais nada menos que exatos 3 mil reais de aumento, mais de 21%, que contrastam com as centenas de categorias profissionais que amargam minguados índices de reajustes próximos do zero por cento, e os milhões de servidores públicos que penam há 7 anos sem nenhum tostão de aumento salarial.

                     Não bastasse o exagero do percentual e o significativo valor que ele representa  --  quantas milhões de famílias não viveriam extremamente bem apenas com uma renda mensal de 3 mil reais? --  os senadores, PASMEMaprovaram também que os juízes federais vão receber o reajuste retroativo a janeiro de 1.998 !!

                     É uma
bolada de 4 anos e meio para trás.  Cada juiz vai receber, só de diferença, o correspondente a  54 meses X 3 mil reais. Ou a bagatela de 162 mil reais !  A brincadeira vai custar aos cofres públicos, em estimativas ainda preliminares, entre 800 milhões e 1 bilhão de reais. Pagos, evidentemente, por todos os cidadãos brasileiros. Sem exceção.

                     Que me desculpem os juízes  --  e penso que entre eles os honrados, justos e de caráter devem reconhecer isso  --  mas é muita disparidade salarial e um rombo muito profundo no orçamento da União.

                     Disparidade num país onde o governo mantém arrochado o Salário Mínimo num vergonhoso patamar de 200 reais e os mesmos parlamentares da base governista, que acabam de conceder o absurdo aumento retroativo aos juízes federais, relutam em aprovar um reajuste de apenas 40 reais para os milhões de trabalhadores que sobrevivem, Deus sabe como, com o Salário Mínimo. E isso para vigorar somente em  abril de 2.003...

                    
E o mais cômico, se não fosse trágico, é que o rombo no orçamento federal provocado pelo aumento  aos juízes vai ser pago por todos os cidadãos-contribuintes. Ricos,  os da classe-média, os remediados e os pobres. Mas sobretudo os pobres, que ganham o SM, ou menos, e imaginam que pagam pouco de impostos. Mal sabem eles que  pagam a grande carga de milhões em impostos  quando compram o quilo de arroz , feijão e farinha; embarcam espremidos  nos ônibus ou adquirem, fiado, na farmácia da esquina, um caro remédio. De marca ou genérico...

                     ...E que pesa mais para eles, pobres, qualquer elevação na carga tributária  --  ou qualquer desvio de impostos de programas sociais para pagamento de salários estratosféricos  --  do que para os mais abastados, a quem um percentual de imposto a mais ou a falta de um posto de saúde na periferia não faz a menor falta. É injusto!                                       

                    
Agora, ainda resta uma esperança que essa injustiça aprovada no Senado não seja colocada em prática. O projeto de aumento retroativo aos juízes da União tem que passar pela sanção do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que tem, constitucionalmente, o poder de vetar o projeto no todo ou em parte.

                     Quem sabe FHC  --  estimulado pelo espírito das festas juninas, que lembram sempre humildade e igualdade entre os homens nos arraiás  --  não tenha um lampejo dos tempos em que, apenas professor de Sociologia da USP, defendia e pregava com vigor que não deveria haver tantas desigualdades sociais, nem tanta e tamanha disparidade de renda e vete o projeto. É uma esperança. Nunca é tarde. Ele, ainda, tem a caneta nas mãos e poderia usá-la em favor de uma causa justa!!


                    
Uma boa semana para todos -- será que o Lalau, que exercia o cargo de juiz em 98, também vai se locupletar com a bolada salarial retroativa??...  --  terça-feira (02/07)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!  
 

Brasil, 18 a 24 de junho de 2.002

CARA-DE-PAU DAS INDÚSTRIAS DE PAPEL HIGIÊNICO
  DEIXA CONSUMIDORES COM CARA-DE-BUNDA ! !
     
                          
                
               
 
    Podem apagar a velinha. Está completando exatamente um ano que as três maiores fabricantes de papel higiênico formaram um cartel e impuseram ao mercado e aos consumidores brasileiros uma brutal diminuição de 1/4 na metragem dos tradicionais rolos de 40 metros.

                     E neste caso a cara-de-pau das indústrias foi tanta que elas nem se preocuparam em "maquiar" a embalagem  --  como aconteceu com tantos outros  produtos.  A estratégia, condenável, também não veio acompanhada da correspondente redução de preços, como seria o óbvio, lógico e natural. Se houvesse respeito, é óbvio também, ao consumidor. Ao contrário, os preços foram mantidos e, pior, depois ainda aumentaram !

                     As gigantes que se mancomunaram  -- Klabin-Kimberly, a Melhoramentos e a Santher, que dominam cerca de 80% do mercado --  aplicaram um pequeno-grande golpe, que passou e ainda passa despercebido por muita gente. Até porque o assunto/produto não é dos mais agradáveis e, infelizmente, ainda é comprado, pela grande maioria, como um "mal necessário". Nos supermercados é uma das gôndolas onde menos se demora e menos se compara preços...


                     Mas, na verdade, o pequeno plano arquitetado e planejado de forma conjunta é um golpe milionário! Dos 40 metros foram subtraídos  25% (10 metros) , e os rolos passaram a ter, da noite para o dia, 30 metros. Olhando e apalpando as embalagens, parece insignificante, parece que nada mudou, parece pouco. Mas, não é !! Significa que os fabricantes passaram a faturar a mesma coisa, ou muito mais, empregando apenas 3/4 da matéria-prima utilizada anteriormente!

                     Para se ter uma idéia do rombo que se tornou o fato no seu orçamento doméstico, basta registrar que hoje nós, na realidade, levamos 3 rolos e pagamos 4. Isso mesmo! Raciocinem comigo: o pacote tradicional, com 4 rolos de 40 mts cada, tinha 160 metros. Agora, são 4 rolos de 30 mts cada e apenas 120 metros, no total. Menos 40 metros,  ou melhor 1 rolo subtraído do seu bolso. Uma cilada, absolutamente indecente!!                 

                     Em dinheiro, a malandragem rendeu uma fortuna. Segundo cálculos preliminares da Secretária de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, em 6 meses, só as três indústrias citadas, tiveram lucro adicional de 60 milhões de reais, Conseqüentemente, neste primeiro ano da maracutaia, as três fabricantes embolsaram a bagatela de algo em torno de 120 milhões de reais em dinheiro fácil. 

                     Iniciado pela Klabin-Kimberly, fabricante das marcas Neve e Nice; pela Melhoramentos (Sublime); e pela Santher (Personal e Pétala)  --  as três irmãs  com penetração nacional  --  o cartel foi ampliado com a "adesão" de indústrias de âmbito regional. Caso da Facepa, do Pará, que produz as marcas Le Blanc e Floral; e da Ondunorte, de Pernambuco, que fabrica as marcas Novo e Leve, que também diminuíram o rolo de 40 para 30 metros.                   

                     O desrespeito, a imposição e a  busca pelo lucro fácil por parte dessas indústrias em prejuízo de milhões de cidadãos são tão humilhantes e abusivos que não é desproporcional dizer que elas estão, literalmente, fazendo os consumidores de palhaço. Deixando-nos, a todos, com cara-de-bunda !! Com a complacência de órgãos governamentais. Cadê o CADE ,  Conselho Administrativo de Defesa Econômica que, passados um ano, permite esse descalabro? Por que a Secretaria de Direito Econômico (SDE), a quem é ligado o CADE, apesar de ter poderes para tal, não determina a imediata volta à produção pela metragem anterior? Ao invés de apenas aplicar, como fez no ano passado, uma multa de 2 milhões de reais. O que significa este valor para cada fabricante?, se eles dividiram, ou melhor repartiram cerca de 120 milhões do lucro fácil obtido??

                     Além de pequenos  fabricantes que não aderiram ao cartel  --  exemplo da Alpes, do Maranhão, que continua fabricando o Rosa do Campo, em rolos com 40 metros  --  passa despercebido mas algumas  Marcas Próprias de redes de supermercados, que são fabricadas, na verdade, pelas três grandes, mantêm os 40 metros. Exemplo do papel BomPreço, da rede HiperBompreço, que é fabricado sabe por quem? Justamente, pela Klabin-Kimberly ...

                     Desamparados como estão, só resta aos consumidores utilizar sua melhor arma: o boicote. Não comprar as marcas cartelizadas; optar por papéis mais simples mas que dignamente não reduziram a metragem; ou simplesmente usar a duchinha ao invés de papel  --  faz bem para a saúde, é de graça e ainda previne o aparecimento  ou alivia a dor de quem tem hemorróidas...
 


                    
Uma boa semana para vocês  --  com o perdão da palavra, os fabricantes de papel higiênico estão tratando o consumidor como um monte de m...  --  terça-feira (25/06)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

Brasil, 11 a 17 de junho de 2.002

                APOSENTADORIA MÁXIMA DO INSS
                AINDA É MUITO BAIXA  E  INJUSTA !
     
                          
                
               
 
    Neste mês de junho o Ministério da Previdência Social anunciou as tabelas de  reajuste das aposentarias pagas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), entre elas o teto máximo,  que ainda é muito baixo e extremamente injusto: já atualizado passou para apenas 1.561 reais.

                     Mesmo assim, esse teto é recebido por pouquíssimas pessoas.  De um universo de cerca de 20 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, apenas 70 mil deles têm direito ao benefício máximo.   Na outra ponta, mais de 13 milhões recebem apenas --  e tão somente  -- o minguado salário mínimo que, ano após ano, vem perdendo dramaticamente o seu poder de compra.

                    
Só para se ter uma noção da perda do poder aquisitivo dos trabalhadores que sobrevivem com o "salário" é suficiente registrar que desde a década de 40, quando foi criado durante o governo de Getúlio Vargas, o SM acumula perdas sistemáticas e sucessivas. Naquela época o valor corrigido corresponde hoje a 660 reais. Na década de 50 chegou a atingir, em valores atuais, 1 mil reais. Em 1.940, o trabalhador gastava apenas 40% do SM para comprar a cesta básica do mês. Hoje, gasta 73% do SM com a mesma cesta para se alimentar com dignidade mínima. Sem nenhum trocadilho.                    

                     Pois é com esse Mínimo que 65% dos aposentados, aqueles mais de 13 milhões que citei lá em cima,  têm que sobreviver atualmente. Para se ter uma idéia da injustiça social que isso representa, há oito anos,  em 1994, esse percentual era de apenas 32% . Portanto, 68% recebiam, naquele recente período,  mais do que um Salário Mínimo...

                    
É a prova mais contundente de que alarga-se no Brasil o fosso das desigualdades socioeconômicas. Não só entre a população economicamente ativa mas também  --  e muito pior  --  entre os trabalhadores aposentados.  É  indigno trabalhar a vida toda, recolhendo religiosamente contribuições para o INSS e, na velhice, 2/3 de nossos aposentados  ganharem apenas minguados e humilhantes 200 reais mensais.                    

                     Por outro lado não é menos difícil, nem menos injusto, para algum pai ou mãe-de-família que sustenta a casa há muitos anos com um padrão salarial, digamos por exemplo, de 4 mil reais  mensais, e se veja na contingência de passar a receber proventos de aposentadoria limitados ao teto, atualmente, de 1.561 reais. Ora as contas não diminuem, quando alguém, seja trabalhador assalariado, micro-empresário ou autônomo, atinja, depois de 35, 40, 45 anos de trabalho, o justíssimo direito ao descanso, à aposentadoria ou o recebimento de pensão por morte do companheiro ou companheira.

                    
É olhe lá, são apenas 0,35% dos beneficiários  --  aqueles cerca de 70 mil cidadãos, que mencionei no começo deste artigo  --  que conseguem receber do INSS o benefício "máximo" . Francamente...

                     Não bastasse isso, com a reforma de\ Previdência  --  idéia fixa do governo federal e  aprovada à toque-de-caixa no Congresso Nacional, pela esmagadora maioria de deputados e senadores da base governista  --  milhões de brasileiros que começaram a trabalhar mais cedo foram penalizados. Com a instituição da idade mínima de 48 anos para as mulheres e 53 anos para os  homens se aposentarem pelo INSS, muitas pessoas vão ter que trabalhar cinco, seis, anos à mais, mesmo tendo completando os 30/35 anos previstos na legislação anterior...

                     Portanto, meu jovem-velho leitor, se você já passou dos 40 anos trate de se precaver e se associar a um plano de aposentadoria privada para complementar o rendimento pago pelo INSS. Mas procure um dos grandes bancos, para evitar alguma surpresa negativa no final de sua carreira, quando você, merecidamente, for desfrutar do afastamento do trabalho diário.


                  
  Uma boa semana para vocês--  é melhor se precaver desde cedo, porque a fila do antigo INPS ainda continua longa e as aposentadorias desumanas  --  terça-feira (18/06)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!


Brasil, 04 a 10 de junho de 2.002


EXIJA DESCONTO NA ANUIDADE.
SE NÃO, TROQUE DE CARTÃO DE CRÉDITO !! 
        
                          
                
               
 
    Todo santo ano é a mesma coisa.  Você recebe de seu, ou seus, porquanto muita gente tem mais de um cartão de crédito, o extrato das compras do mês já lançado o valor da anuidade. Num prato feito, fato consumado.

                     Não aceite de cara o valor que tentam lhe impor. A grande maioria deles, para não dizer a quase totalidade, aplica , na renovação, anuidades incompatíveis com os preços de mercado. Sobretudo em relação às anuidades de adesão.

                     Explico: a estratégia dos cartões é oferecer uma anuidade inicial, com descontos vantajosos e depois, na renovação, aplicar não o que seria justo mas sim um valor absurdamente alto, apostando na acomodação do cliente. Funciona mais ou menos na base do se colar, colou --  e o pior é que acaba colando em milhões de clientes,  que não ligam para reclamar e acabam pagando.

  
                     Não caia nessa !! Ligue para a central de atendimento da administradora e reclame, dizendo que está insatisfeito e que se for aquele valor você prefere cancelar, ou melhor, não renovar o contrato do seu cartão. A atendente vai transferir você imediatamente para o setor de "cancelamento".

                     Lá, o atendente, que já tem mais  autonomia para tentar dissuadir o cliente a não concretizar o cancelamento,  vai enrolar um pouco porém tem autorização para dar 30/40/50/60% de abatimento, dependendo da administradora. E vai dizer para você algo do tipo: "com base no seu tempo como cliente; ou como o sr. sempre paga em dia a fatura; ou como o sr. sempre honrou a dívida renegociada; ( só faltam falar "como o sr. nos  paga muitos juros")  vamos  lhe dar um desconto de 40%...


                     Negocie e só aceite se oferecerem  no mínimo 40% ou 50% , este último percentual, o mais indicado. Até porque os concorrentes  oferecem descontos de 50%, 60%, 70% na primeira anuidade  --  valor que você também pode e deve renegociar, depois de 1 ano, quando da renovação, caso opte por mudar de cartão.

                     E caso a sua atual administradora se mantenha irredutível em chegar num desconto significativo na renovação, não titubeie, não tenha dúvidas, nem pruridos. Troque de cartão, afinal as empresas tem lucros exorbitantes e ganham de todos os lados : do cliente e do comércio e serviços em geral. Aliás os comerciantes pagam taxas e percentuais altos sobre tudo o que você compra ou consome.

                     Trocar de cartão não lhe causa problema algum. Basta negociar o desconto um pouco antes do vencimento (e isso ficou mais fácil com o advento da Internet onde 15 dias antes você já pode checar o valor lançado da anuidade) , de modo a não ficar sem cartão por uns dias, caso você só tenha um.  Diferentemente do cheque  --  onde um cliente com 5, 10, 20 anos como correntista do mesmo banco obtém mais credibilidade junto aos lojistas   --   não faz a menor diferença para os hotéis, empresas aéreas e comerciantes em geral se o seu cartão de crédito foi emitido há um mês, 1 ano ou 10 anos. O que vale para eles é a autorização on-line ou pelo telefone dada pela administradora do cartão no ato da sua compra ou consumo.

                    
Portanto, não tenha receio de negociar a anuidade, pedir bom desconto e, se for o caso, trocar mesmo de cartão!! Há dezenas de propostas no mercado. O seu banco mesmo deve ter alguns pré-aprovados para você, consulte o site ou seu gerente. O ideal é ter dois cartões com espaço de vencimento de 15 dias,  nos quais você possa jogar as gastos de cada quinzena e estar coberto quando da renegociação. Porém, mesmo tendo só um, não hesite: exija desconto !!


                  
 
Uma boa semana para todos, torcendo para a seleção derrotar também os chineses  --  E lembre-se: parcelamento no cartão só sem juros. Caso contrário, você vai pagar mais de 200%  ao ano de encargos financeiros --  terça-feira (11/06)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!


Brasil, 28 de maio a 03 de junho de 2.002


DEUS NOS LIVRE
DE UMA GUERRA COM A ESPANHA !!
            
                             
                
               
 
    Poucos se deram conta mas devagarzinho, devagarzinho, os espanhóis foram aproveitando a brecha das  privatizações  e avançando seus tentáculos financeiros na Economia brasileira. Sobretudo em segmentos essenciais para a Vida.

                     O avanço dos espanhóis, que de bobos nada têm , é veloz e ao mesmo tempo discreto. Diferentemente de seus antepassados, que saiam cantando aos quatro ventos suas conquistas e descobertas  --  e talvez por isso mesmo tenham perdido o Brasil para Portugal, depois de terem conseguido dividi-lo meio-a-meio através do Tratado de Tordesilhas  --  os espanhóis modernos são conquistadores pela inteligência de investir em países e em setores de retorno garantido.

                     Além do retorno, líquido e certo,  os espertanhóis   abocanharam  nossas mais importantes e estratégicas empresas públicas. Estratégicas e essenciais, em tempos de paz  ou de guerra...

                    
Vejamos lá alguns exemplos:  na área de gás canalizado para residências, o grupo espanhol GasNatural tem 33,5% e opera todo o sistema de fornecimento no Rio de Janeiro. Com mais 17,5% de outra sócia espanhola, a Iberdrola, controlam toda o segundo maior Estado do país.

                     Na distribuição de energia elétrica eles dominam grandes aglomerados e extensas regiões. Através da mesma Iberdrola ganharam a concessão e atendem de forma cativa os Estados da Bahia (Coelba) ; Pernambuco (Celpe) e Rio Grande do Norte (Cosern). Outra empresa espanhola, a Endesa, detém o fornecimento de eletricidade nos Estados do Ceará (Coelce) e Rio de Janeiro (Cerj).

                     Já no setor da telecomunicações a Espanha tem várias participações. A principal delas é através da Telefonica que controla toda a telefonia fixa em São Paulo, Estado que concentra cerca de 50% da produção e do PIB brasileiro.
 

                  
  Na importantíssima --  e fundamental para a saúde popular  -- área de saneamento básico, os espanhóis estão de olho para abocanhar as concessões  de água e esgoto que estão em processo de privatização em várias capitais e grandes cidades brasileiras. Assim como o gás canalizado residencial e a energia elétrica, a água é outro filé  que os hispânicos não vão  dispensar: monopólio onde o consumidor é compulsório, não tem para onde correr, e os detentores da concessão não precisam disputar mercado com nenhuma empresa, como é salutar para a qualidade dos serviços em qualquer ramo.

                    
O ditado espanhol diz "que venha o touro, mas que venha morto" . No caso das privatizações brasileiras eles, espanhóis, querem que os touros venham "bem vivos". E aguardam outras possibilidades  --  pela atual conjuntura um pouco mais remotas  --  como as dos Correios, Petrobras e Banco do Brasil. Até porque em bancos brasileiros eles já têm experiência e os pés bem fincados...

                     E a Espanha agora conta duplamente com um aliado de peso: o presidente FHC que não nega que é hispanófilo. A partir de janeiro de 2003, FHC vai presidir, convidado com toda pompa, o Clube de Madri. Não o Real Madri, do futebol, mas uma entidade recém-fundada que vai reunir ex-governantes influentes. Ou influenciáveis ??


                     Por tudo isso, e algumas coisitas mais,  Deus nos livre de uma guerra  com os espanhóis. Eles cortariam nossos telefones, nosso gás encanado, nossa luz e até nossa água de beber...
 
                     Coincidência 1
: Brasil e Espanha só se defrontam na Copa do Japão e Coréia do Sul, quaisquer que forem seus resultados, na grande final ou na disputa do terceiro lugar.


                  
 
Um bom feriado prolongado, ótimo início de Copa para vocês   --  Coincidência 2: há exatos 20 anos o Brasil perdia a final no estádio Sarriá, na Espanha, lembram-se?   --  terça-feira (04/06)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!


Brasil, 21 a 27 de maio de de 2.002

SEGURO-APAGÃO PODE DOBRAR.
O LUCRO DAS CONCESSIONÁRIAS,TAMBÉM !              
                             
                
               
 
    Não e à toa que o candidato do governo à presidência não decola nas pesquisas, mesmo com o aparato oficial.  Em várias áreas o governo federal toma medidas que prejudicam os cidadãos e beneficiam grandes conglomerados empresariais. Muitos deles, grupos internacionais. Caso típico do setor de energia elétrica, onde os desatinos e os desrespeitos batem recordes. Acompanhem e relembrem comigo:

                    
Primeiro foi a privatização desastrosa de um segmento essencial para a vida,  transformando a distribuição de eletricidade de monopólio estatal  em monopólio privado  --  o resultado é que a qualidade no atendimento ao usuário caiu, as bruscas oscilações na voltagem e constantes  interrupções no fornecimento danificam aos poucos, quando não queimam de vez,  eletrodomésticos e equipamentos. As tarifas, promessa governamental de que seriam reduzidas com a privatização,  aumentaram bem acima da inflação...

                   
Depois foi  aquela desculpa esfarrapada do presidente Fernando Henrique de ter sido "pego de surpresa" após 6 anos e meio de mandato, com a crise batendo na porta, e  a imposição de um racionamento de guerra a que todos  os brasileiros  foram submetidos...   

                    N
o transcorrer do prolongado racionamento foi aquele terrorismo. Imposto pomposamente chamado de sobretaxa, cortes de fornecimento ilegais, sacrifícios, constrangimento de trabalhadores e empresários perdendo tempo,  enfrentando longas filas para justificar consumo e "solicitar" revisão de metas estipuladas sem critérios específicos...

                  
 Depois foi aquela idéia de jerico de mais  feriados prolongados do que já existem no calendário brasileiro, sob o argumento de que reduziriam o consumo de energia e o risco de (tasque terrorismo)  apagões programados... 

                     Logo mais veio, através de Medida Provisória, é claro, um aumento de 2,9% para os consumidores residenciais e 7,9% para os não-residenciais, para cobrir as  "perdas" das concessionárias, tadinhas, com o racionamento. Perdas, grife-se, porque prejuízo elas nunca tiveram. O tal aumento-extra, decidido em dezembro passado, era para durar de 36 a 40 meses mas, já em março, a tal da Câmara de Gestão da Crise de Energia concluiu que os custos "não-gerenciáveis" das distribuidoras, tadinhas, foi maior e decretou que o aumento-extra será cobrado dos consumidores pelo período de 48 até 58 meses. Só 5 anos...

                  
 Além do aumento acima, também no final de 2001, o governo federal já havia determinado ao BNDES (lembram-se?) uma linha de financiamento, à perder de vista, para repor imediatamente as "perdas" das concessionárias. Coisinha pouca, foram cerca de 6 bilhões e agora em maio serão mais 1,5 bilhão de reais... E como ainda era pouco, o governo autorizou novo aumento de 1,85% nas tarifas a partir de 22 de abril. Evidente e Indevidamente aplicado, no caso da concessionária do RN, COSERN, em todo consumo do mês e não proporcional como é o correto...

                    Com o fim do racionamento, em 28 de fevereiro, o governo FHC criou o tal Seguro-Apagão, para confundir lançado em sua conta de luz como "Encargo de Capacidade Emergencial" , com o objetivo de contratar usinas termelétricas e a promessa de que isso impediria novo racionamento. Em março, o tributo foi cobrado à base de R$ 0,0053 por Kwh. Em abril foi cobrado à base de R$ 0,0059 por KWh. Parece pouco mas, cheque aí na sua conta, representa cerca de 2,5% do valor consumido no mês. Mais do que a multa em caso de atraso no pagamento, que é de 2% ...

                
  Agora,  o governo federal alega que errou nos cálculos do seguro-apagão e que o correto seria algo em torno de R$ 0,0087 por KWh, quase o dobro do valor inicialmente anunciado de R$ 0,0049. E, para evitar resistências ao aumento, os diretores da ANEEL já estão dando entrevistas: "não estamos livres dos apagões" . Enquanto isso, as tadinhas das concessionárias, mesmo com o racionamento, não deixaram de apresentar lucros  --  a EletroPaulo, de SP, fechou o balanço de 2001 com meio bilhão de reais de lucro líquido e a COSERN, do RN, com cerca de 250 milhões de reais de lucro...

                  Enquanto isso, a qualidade e regularidade do fornecimento pioram a cada dia. E o que pode fazer o cidadão, consumidor-compulsório?? Mandar desligar os fios da casa e trocar de fornecedora? Não, pois só existe uma empresa em cada cidade/região. O monopólio agora é privado, com as bênçãos estatais!!


                  
Cômico, se não fosse trágico: justamente quando eu terminava de redigir este artigo faltou energia. Terminei à luz de velas e com o auxílio do No-Break, que impediu que o computador desligasse e permitiu que eu terminasse o texto. Eram exatamente 02:55 hs da madrugada de 21 para 22 de maio... vamos ver se o aparelhinho da propaganda da Aneel na TV  funciona e registra a ocorrência...

                  
Uma ótima semana para vocês   --  antes dependíamos de Santa Clara. Ainda bem que agora já temos a primeira santa brasileira, Madre Paulina, quem sabe ela nos dê uma luz nessa novela da luz  --  terça-feira (28/05)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

Brasil, 14 a 20 de maio de de 2.002

O SONHO DE CONSUMO DO PRESIDENTE
 E A DURA REALIDADE DOS BRASILEIROS
                             
                
               
      Cada um de nós tem um sonho de consumo em determinado momento da vida. O atual sonho de consumo do presidente FHC  --  além é claro de se tornar imortal na Academia Brasileira de Letras  --  é imaginar que ele possibilitou aos brasileiros aumentar o consumo no dia-a-dia. E que esse fato, por si só, representaria substancial melhora na distribuição de renda no país...

                     Baseado no fato do Censo/2000 ter constatado aumento no consumo global e também  alargamento do fosso das desigualdades econômicas entre os habitantes, Fernando Henrique usou o primeiro para tentar contestar o segundo dado, colocando em dúvida o levantamento do IBGE.

                    
Ora, senhor presidente, o consumo pode aumentar, como de fato aumentou, sem que isso signifique necessariamente melhoria na distribuição da renda! Ao contrário, no caso tupiniquim o que os números indicam é que os ricos ganharam muito mais e passaram a consumir muito mais. Já a classe média e os pobres ganharam menos, pagaram mais impostos, muitas categorias não tiveram sequer reajuste anual de salário e o pior: muitos passaram a recolher imposto de renda por conta do congelamento de 7 anos nas  tabelas do leão.  Conseqüentemente, na melhor da melhor das hipóteses, essas famílias conseguiram estagnar seu consumo. Aumentar, jamais .

                     Aqui um parênteses,  o presidente da República contestou os dados do Censo realizado pelo IBGE, que é um órgão do governo federal. Imaginem só se fossem dados de alguma instituição independente ?? E justiça seja feita, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas apesar de ser estatal, tem credibilidade e realiza um trabalho extremamente sério. Seja na coleta de dados, com todas as dificuldades de um país imenso como o nosso; seja na tabulação e cruzamento das bilhões de informações, seja na divulgação sempre criteriosa dos resultados, independentemente se eles agradem ou não os governantes. A função e responsabilidade do IBGE é radiografar e revelar, em números, a realidade socioeconômica no Brasil.

                    
E a análise destes números é suficiente para colocar por terra as "dúvidas" palacianas e  atestar que realmente a distribuição de renda piorou: 1/4 da população,  ganha menos que do que 1 Salário Mínimo. Apenas 3% dos brasileiros ganham acima de 20 salários Mínimos, ou 4 mil reais por mês. Na outra ponta, contrastando negativa e perversamente com esse quadro, 65% de toda riqueza nacional está concentrada nas mãos de apenas 1% . Trocando em miúdos, o "resto" da população, 99%,  cerca de 168 milhões de brasileiros, tem que dividir os 35% da renda que sobra...

                    
Nem é preciso avançar muito na comparação de dados para se perceber que as disparidades de rendimento são massacrantes. Só miopia política proposital é que não deixa alguém enxergar a verdade. Mas vale ainda comentar outro argumento usando por FHC para "provar" que teria havido melhoria na distribuição de renda no país: o aumento do número de carros por família. Francamente, até 95 não existiam automóveis populares, de menor potência em compensação com preços, 10/11/12 mil reais, e prazos de pagamento em até 5 anos, que permitem a milhares de famílias de classe média adquirir um segundo carro para a esposa/filhos. Mas espremer o orçamento doméstico para pagar uma nova prestação também não quer dizer que a renda melhorou.             

                    
Assim como bolsões de  aumento de consumo identificados pelos Censo em determinadas faixas mais pobres não representam melhoria salarial ou distribuição mais eqüitativa das riquezas nacionais O que acontece é que a estabilização da moeda e o controle da inflação fizeram surgir centenas, milhares de novas marcas e produtos baratos, sobretudo nas gôndolas dos supermercados. Muitos de qualidade péssima ou duvidosa, que nem sempre cumprem com eficiência o que prometem. Porém, em contrapartida, encaixam dentro da minguada renda familiar . E, em volume, jamais em qualidade, engordam as estatísticas de consumo !
                 

                    
     E já que nosso presidente  --  como bem garantem os caros comerciais na TV dos 8 anos de seu governo  --  está mesmo convencido de que a massa salarial teria aumentado, determinou ao ministro Pedro Malan que compense a "perda" na arrecadação com a interrupção da CPMF, cortando 1 bilhão de reais do Fundo de Combate à Pobreza. Pobres dos pobres !!

                          
Uma boa semana para todos   --  o reino cor-de-rosa de FHC, mais do que sonho de consumo é sonho de uma noite de verão. Daquelas em que a gente acorda suado, vai ao banheiro e volta para continuar sonhando gostosamente, em alguns casos fugindo da realidade  --  terça-feira (21/05)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!


Brasil, 07 a 13 de maio de de 2.002

PAIS-DE-ALUNOS SÃO ESPOLIADOS
POR ESCOLAS PARTICULARES 
                   
                
               
      Não é apenas o desemprego que grassa no país e beira os 20% em várias regiões que leva um pai ou mãe a atrasar a mensalidade escolar do filho . Outros imprevistos também contribuem para a inadimplência e não podem ser levados a ferro e fogo pelas escolas particulares, como está  acontecendo em todo país.

                     Doença em família, acidentes, despesas inesperadas tem que ser priorizadas em relação a outras contas, inclusive a mensalidade de escolas privadas, independente de proporcionarem ensino de qualidade, ou não. O que não pode existir é o atual esbulho financeiro de uma boa parte de estabelecimentos, que apesar de cumprirem a lei não impedindo o aluno de realizar as provas por falta de pagamento, em contrapartida aplicam juros e multas completamente escorchantes e ilegais.

                    
Num destes casos que ganhou divulgação na mídia nacional, a escola insiste, mesmo sendo denunciada na imprensa e no judiciário em cobrar de uma mãe desempregada multa abusiva  de 10% e juros, pasmem, que chegam aos  20% ao mês. Completamente ilegal, ferindo não só o Código de Defesa do Consumidor --- que é  muito claro no sentido de que multas não podem ultrapassar 2%  --  mas a própria Constituição Federal que determina que instituições e empresas não-financeiras  podem aplicar, no máximo, 1% ao mês para corrigir dívidas resultantes da aquisição de bens e serviços.
   
                     E são milhares de casos como esses denunciados diariamente e outros tantos milhares em que os pais acabam não reclamando, nem denunciando aos órgãos de defesa do consumidor. Por vergonha, falta de tempo, para evitar constrangimentos para os filhos ou ainda porque as escolas públicas, infelizmente, atingiram níveis tão elevados de violência e patamares tão baixos na qualidade do ensino, que eles, pais, não têm outra alternativa .

                    
Agora o que causa mais estranheza e indignação nessa triste página da história educacional no Brasil é a posição arrogante da CONFENEN - Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, e de vários sindicatos estaduais ligados à entidade (?), que advogam, estimulam e defendem com unhas-e-dentes o "direito" das escolas associadas esfolarem os pais com mensalidades altas e, além disso, cobrarem injusta e ilegalmente juros e multas extorsivos em caso de inadimplência temporária, de apenas um mês, ou prolongada por fatores mais graves que independem da vontade dos casais, das famílias.

                  Ora, qualquer entidade de classe, seja patronal, de trabalhadores ou de usuários, tem o dever de defender seus associados. Mas tem também a obrigação de lutar para corrigir, orientar e punir, com a severidade necessária, filiados que cometam abusos, injustiças e, neste caso de uma boa parcela de escolas particulares, extorsão financeira e verdadeira agiotagem educacional...

                 
E o argumentos usados pelos diretores e dois últimos presidentes da CONFENEN chega a chocar: "o Código de Defesa do consumidor não se aplicaria às escolas e os altos custos com estrutura e folha de pagamento dos professores forçariam a cobrança de multas e juros mais altos do que os estipulados em lei e praticados, atual;mente, pela maioria dos segmentos da economia".

                  Nada mais falacioso! Os custos com estrutura e laboratórios são altamente compensados com o verdadeiro amontoado de estudantes por sala de aula: 50,60, 70. Há mesmo "estabelecimentos de educação" que chegam a empilhar 120/130 alunos por salão... Quanto ao alegado gastos com a folha, pobres dos mestres: nunca os salários foram tão baixos nas escolas particulares.

                  Um caso recentíssimo acontecido em escola privada no Rio de Janeiro bem ilustra a impropriedade da argumentação da CONFENEN: pressionada pelos problemas ocasionados pelo baixo salário e por centenas de provas para corrigir, uma professora deixou escapar o erro e colocou como alternativa certa a resposta assinalada por um aluno dando conta de que "o Sol não tem uz própria"... E o pior é que o presidente do sindicato carioca das escolas particulares e a diretora-executiva da ABE - Associação Brasileira de Educação, em entrevista radiofônica, defenderam não a professora mas sim o fato"normal e aceitável" de um profissional ministrar aula numa sala com 40/50/60 alunos. O presidente do sindicato, José Antônio de alguma coisa, afirmou ipsis literis ao microfone da rádio CBN,  em rede nacional: "eu mesmo já dei aula para classe de 150 alunos"...
             
                    

                    
E pensar que há apenas cerca de 20 anos a Escola Pública era a melhor e a mais disputada: totalmente gratuita, os professores se orgulhavam da profissão, tinham salários justos e a qualidade do ensino era excelente. Bons tempos aqueles. Nas classes, 30 alunos, no máximo, estourando. Já, na maioria das escolas particulares  --  haviam as sérias, justiça seja feita  --  eram matriculados os mais atrasados ou os que corriam o risco de repetir de ano. Nelas, as mensalidades, naquele tempo, já eram caras mas  sempre havia um "jeitinho" de melhorar as notas e o mau-aluno acabava passando de ano...

                   
Uma ótima semana para vocês  --  se a escola de seus filhos abusar na multa e juros, não se envergonhe, coloque a boca no trombone  --  terça-feira (14/05)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!
 

Brasil, 30 de abril a 06 de maio de de 2.002

O TAL DO SPB  VAI OBRIGAR 
MUITA GENTE A ENGOLIR
SAPOS...
                   
                
               
     O tal do SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro  -- palavrão que o correto seria grafar como Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) --  que já está em vigor no atacado desde o último dia 22, por enquanto não muda nada na sua vida e na maioria das empresas.  Por enquanto só afeta as megas corporações e as grandes empresas, que emitiam cheques  com valores acima de R$ 5 milhões de reais. Por enquanto !! 

                    A partir de outubro, quando realmente o SPB entra em operação no varejo e pagamento de valores de 5 mil reais para cima somente serão permitidos através de transferências eletrônicas disponíveis (TED), aí sim seu dia-a-dia e o das empresas começa a complicar. O sistema vai beneficiar os bancos e prejudicar os usuários. Sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. 

                    E mais: não é nem de longe essa maravilha toda que o Banco Central está alardeando aos quatro ventos, sobretudo em belos comerciais nas televisões de todo Brasil. Belos nos formatos, porém dúbios  e pouco ou quase nada explicativos. Senão, vejamos :


                  
O Banco Central pretende com a medida diminuir a circulação de cheques e, conseqüentemente, o imenso volume de compensação dos mesmos. O que, na prática, diminui o custo dos bancos mas não beneficia os correntistas, nem com "grandes facilidades", tenham certeza, nem com redução das atuais pesadas tarifas bancárias. Confiram daqui seis meses, um ano, se o seu banco diminuiu os valores da extensa lista de taxas e tarifas cobradas...

                  
Como a idéia do BC e gradativamente baixar o limite de 5 mil reais para   cheques forçando, cada vez mais, o correntista a usar o cartão de débito instantâneo em suas compras diárias, isso significa que nós, correntistas, teremos que ter saldo suficiente, em tempo real, no exato instante do ato da compra do bem ou serviço. Exemplificando, se você abastecer o carro ou fizer o supermercado às 4 horas da tarde de um dia perderá, pelo menos, as 24 horas de tempo que hoje dispõe para cobrir o cheque emitido. Se for numa sexta-feira ou véspera de feriado prolongado, você perderá o benefício de 3 ou 4 dias de tempo. E se tiver que cair no cheque especial, pior ainda: os juros escorchantes começam a ser aplicados no mesmo minuto da compra. Ótimo para as corporações bancárias. Péssimo para os cidadãos...

                  Sem contar que o bom e velho cheque, possibilita a milhões da famílias brasileiras realizarem as compras de alimentos fundamentais na sexta-feira, quando o patrão só vai efetuar o pagamento do salário, atrasado ou não, somente na segunda-feira. Ou se for dali a 15 dias, ainda há a possibilidade do salvador  cheque pré-datado. E os casos de emergências de saúde que acontecem nas noites e nos fins-de-semana ? Como pagar on-line a "continha"  do pronto-socorro e minutos depois os "baratinhos" remédios na primeira farmácia de plantão na volta para casa?? Os cheques nestes e em dezenas de outros casos sempre foram a justa salvação da pátria. 

                    

                 
   Já para as indústrias e para os comerciantes a paulada do SPB será mais rápida. Em pouco tempo terão que dispor de muito mais capital de giro, de dinheiro vivo no banco. O que convenhamos, não está nada fácil. Pagar as contas e os fornecedores significará para os empresários, sobretudos os micros, pequenos e médios, o fantasma de ter o valor disponível exatamente no mesmo minuto do vencimento do título, da duplicata. Mesmo sem receber dos "clientes de caderneta" no mesmo momento da venda. É como necessitar  ter cash  no bolso, a diferença é que ele será de plástico, virtual. Mas na consulta on-line, o dinheiro tem que ser real. Tem que estar lá. Exemplificando o pequeno comerciante, que tem um faturamento mínimo e garantido, digamos, de 3 mil reais por dia,  não vai mais honrar no vencimento e pagar às 16 horas de um dia uma conta de 1 mil reais, com um cheque que podia tranqüilamente cobrir no dia seguinte. 

                  
É meus caros leitores, por tudo isso é que no título eu citei os sapos. Patrões e empregados vão ter que ouvir e engolir muitos sapos, com o tal SPB. Sapos Para os Brasileiros. Soluções Para os Bancos !! 

                   Uma ótima semana, bom feriado do Dia do Trabalho para vocês  -- 
o SPB, que nada tem a ver com Som Popular Brasileiro,  vai fazer empresas e trabalhadores rebolarem. Já os bancos... vão continuar ouvindo a sinfonia dos lucros exorbitantes  --  terça-feira (07/05)  eu volto. Traduzindo a Economia para o seu dia-a-dia!

Brasil, 23 a 29 de abril de 2.002

OS CORPOS INSEPULTOS DE CARAJÁS 
E A RESPONSABILIDADE DE CADA UM DE NÓS !
                   
                
               
 
   Aparentemente o tema não é econômico. Só aparentemente. 

                    Neste abril completam-se seis anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará  --  cujo julgamento ainda patina por conta de pressões,  adiamentos, troca de juizes, jurados e etc...  Aproveitando o "aniversário" eu queria analisar com vocês a questão da responsabilidade e da culpa por esse e outros desastres socioeconômicos.


                   
Só para citar as mais conhecidas nacionalmente, as tragédias dos sem-terra no sul do Pará ( 19 mortos ) ;  dos pacientes da clínica de hemodiálise de Caruaru/Pe ( 47 mortos ) ; dos velhinhos da Clínica Santa Genoveva, no Rio de Janeiro (99 mortos) e a dos freqüentadores  daquele shopping que explodiu em Osasco/SP (42 mortos ) devem nos levar a uma séria reflexão. Sobre a responsabilidade e o papel dos governantes investidos do poder público, mas também, e sobretudo, acerca da responsabilidade de cada um de nós enquanto cidadãos que os elegemos.

                 
   À luz de uma análise mais aprofundada e serena é possível avaliar e concluir que em todos aqueles episódios lamentáveis  --  que denigrem a imagem da Nação interna e externamente  --   a raiz da culpa está em órgãos e instituições públicas corruptas,  governadas e chefiadas por mandatários não menos corruptos, oportunistas, desprovidos de caráter e, em grande parte, completamente despreparados para o exercício de poder.

                   
Os sem-terra foram massacrados em Eldorado dos Carajás porque houve pressão e ordens claras para isso. O comandante da PM  local  --  sem querer eximi-lo de culpa, que também tem  --  autorizou a operação com apoio, conivência ou, para dizer o mínimo, omissão dos então secretário de Segurança Pública e do governador do Estado.  Os pacientes com problemas renais em Pernambuco e os idosos cariocas foram vítimas não só dos  inescrupulosos donos das respectivas clínicas, mas também e em maior escala e grau de culpabilidade das autoridades de saúde  em níveis municipal, estadual e federal, que permitiam o funcionamento ao não exercer rigorosa fiscalização naqueles  “estabelecimentos de saúde”. Não foi diferente no caso da explosão que vitimou centenas de inocentes no shopping paulista. Um empreendimento de tal porte que modifica  o meio ambiente e transforma a vida da comunidade que passa a nele consumir e gerar lucros fartos, teria que ter não só alvarás prévios para funcionamento , mas vistorias e fiscalizações  periódicas dos diversos órgãos municipais e estaduais inc