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Economia & Defesa do Consumidor
Comentário do jornalista
Cláudio Monteiro
Brasil, 13 a 20 de julho de 2004
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CARTÃO POSTAL DO BRASIL
AMEAÇADO DE DEMOLIÇÃO
Quem
viajou ou viaja pelo litoral brasileiro, cansa de ver de perto.
Quem não tem a oportunidade de viajar também já viu muito nas
reportagens dos telejornais ou em denúncias recebidas pela
Internet: em dezenas de pontos da costa existem casas, a
maioria de milionários, que invadem áreas públicas e as
transformam escandalosa e ilegalmente em praias privativas.
Tudo com a complacência e as vistas grossas do Patrimônio da
União, órgão federal a quem compete -- ou deveria competir
-- a administração e fiscalização das chamadas áreas de marinha...
Muito bem, não é que incoerentemente e usando de dois pesos e
duas medidas o Patrimônio da União volta suas baterias contra
um dos mais conhecidos cartões postais do Brasil e, de longe, o mais conhecido
do Rio Grande do Norte, o Restaurante 21 na praia de Jenipabú?? Logo
o 21 que há mais de uma década foi construído preservando
totalmente a natureza e que -- num trabalho digno de merecer
elogio dos poderes públicos -- vem recuperando a vegetação
nativa, plantando coqueiros e resgatando a geografia do pé da
duna principal onde está encravado e que se desfigurava com a perda de areia e o
avanço do mar ??
Logo o 21 que é o centro e mira de 90% da fotos e imagens da
Praia de Jenipabú veiculadas em jornais, sites, guias de
turismo nacionais e internacionais e reportagens de televisão
pelo país e pelo mundo afora?? Logo o 21 que é exemplo de
convivência e respeito para com a natureza e leva o nome de
nosso querido Brasil atraindo turistas e suas divisas tão
necessárias para nossa sofrida gente ??
Pois é, numa carta lacônica, curta e grossa, datada do
início do mês, o Patrimônio da União dá 30 dias de prazo para o Bar
e Restaurante 21 fechar e demolir espontaneamente sua
estrutura, sob pena do pior. Logo o 21, que funciona
comercialmente só até o finalzinho das tardes, mas que fica
aberto 24 horas, nos 365 dias do ano e que não tem portas para
justamente permitir que as pessoas, sem precisar pedir licença
ou dar satisfação, o atravessem com a maré baixa ou cheia.
Estranho, muito estranho que o mesmo órgão não determine a
derrubada de centenas e centenas de casas particulares,
hotéis e resorts de alto luxo pelo
Brasil afora, que são construídos de modo a fechar o acesso às
praias impedindo o sagrado e o constitucional direito das
pessoas de ir e vir!! Basta ver o que foi feito
por resorts na Bahia; por hotéis e pousadas em Santa Catarina;
por mansões em Saquarema (RJ) e por hotéis
na Via Costeira, em Natal, que na prática tornaram as praias
privativas. Por que logo o pequeno 21? Logo o 21 que
respeita os consumidores e cidadãos potiguares além dos
turistas nacionais e internacionais que o freqüentam ou o
visitam apenas para registrar em fotos a beleza de uma obra
toda em madeira e palha, que se incorporou por completo à
paisagem de Jenipabú sem agredir a natureza??
Por que essa súbita decisão do "Patrimônio" da União, de
acabar logo com o 21 que se tornou um patrimônio público??
Fato que, aliás, deveria sim, despertar em outro
órgão federal, o Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico
e Cultural, o tombamento do local para impedir que os
proprietários ou qualquer órgão público sequer cogitassem de
demolir o restaurante. Afinal, o 21 é hoje patrimônio dos
potiguares, dos brasileiros, e dos turistas estrangeiros
que não se cansam de elogiá-lo.
É preciso que as autoridades intercedam pelo cartão postal que foi e é uma luta diária. Uma
luta de mais de 10 anos -- muitas vezes amargando o vermelho
do prejuízo contábil -- em que uma potiguar da gema, Isabel
Fernandes, encantou um turista italiano, Lúcio Duranti, e que juntos
constituíram família e ousaram colocar todas suas economias
num estabelecimento exemplar
que traz -- seguramente e sem medo de errar --
mais lucros para o Rio Grande do Norte e para o Brasil do que para
eles
próprios
! !
Uma
ótima semana para todos --
antes que
cometa um grande erro e uma tremenda injustiça, o Patrimônio da União precisa
rever a intempestiva decisão -- terça-feira (20/07) eu volto. Traduzindo a
Economia para o seu dia-a-dia!

Esse comentário econômico é
também publicado, toda quinta-feira, no diário
O MOSSOROENSE, terceiro jornal impresso mais antigo (1872) em circulação
no Brasil
Jornalista Cláudio
Monteiro
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