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JORNALISTAS
BRASILEIROS ENCERRAM CONGRESSO NA BAHIA
Após cinco dias de intensos debates na capital baiana, terminou em 10
de setembro o XXIX Congresso Nacional dos
Jornalistas, organizado pelo SINJORBA - Sindicato dos Jornalistas
Profissionais no Estado da Bahia. Além de expressarem seus principais
posicionamentos e decisões num documento intitulado Carta de Salvador, os participantes decidiram realizar um congresso extraordinário para reformular o estatuto da
FENAJ Federação Nacional dos Jornalistas, que acontecerá no Rio de Janeiro, nos
dias 02 e 03 de novembro deste ano. Leia abaixo a íntegra da Carta de
Salvador:
CARTA DE SALVADOR
AO
POVO E ÀS AUTORIDADES
Os jornalistas brasileiros
reunidos em seu XXIX Congresso Nacional, na cidade de Salvador (BA), no
período de 6 a 10 de setembro de 2000, analisaram a situação da
categoria, diante de uma política econômica que mergulhou o país em
brutal recessão, que desarticulou e desnacionalizou o sistema produtivo
e vem provocando desestruturação
social sem precedentes, da qual são testemunhos
o desemprego, a degradação das políticas sociais, o aumento do
número dos excluídos e da violência em todas as cidades brasileiras.
A
intransigência na defesa do modelo neoliberal, a consciência que tem
da instabilidade da economia mundial e a disposição que possui de
impor ao povo maiores sacrifícios para cumprir acordos com banqueiros e
o capital internacional, são provas de que o atual governo não está
disposto a nenhuma mudança de rumo, prosseguindo com sua orientação
conservadora que aprofundará ainda mais o ajuste e as reformas
neoliberais, com destaque para a nefasta política de privatização,
caracterizando-se como um governo
autoritário.
O
quadro latino-americano é complexo. Os indicadores econômicos e
sociais de todos os organismos internacionais demonstram que a situação
do continente piorou nesses dez anos de experimento neoliberal. Além da
conflagração social latente, em quase todos os países
latino-americanos, aprofunda-se o conflito armado na Colômbia.
Neste contexto, é necessário enfatizar a defesa das liberdades democráticas,
de manifestação e de expressão, bem como denunciar a intervenção
dos EUA naquele país, por meio do chamado Plano Colômbia, que vem
mascarada de combate ao narcotráfico.
Os
jornalistas reafirmam ainda o seu propósito de manter a pressão do
movimento popular nas ruas, articulando as atuais reivindicações
sociais em um vasto movimento de oposição às políticas conservadoras
do governo. Os resultados das eleições municipais de outubro terão um
importante efeito, e a unidade dos partidos progressistas será
fundamental na medida que eles se expressem em oposição ao governo de
Fernando Henrique Cardoso, apoiando os movimentos populares contra o
arrocho salarial e o desemprego, denunciando e resistindo ao violento
processo de desregulamentação de direitos e conquistas das relações
trabalhistas.
Desde o desmantelamento do movimento sindical, durante o período da
ditadura, os trabalhadores vêm realizando debates sobre
uma nova concepção de sindicalismo autônomo e independente do
Estado. Entre as propostas mais inovadoras, sempre esteve a construção
de uma nova estrutura sindical que atendesse aos interesses dos
trabalhadores. Nesse sentido, os jornalistas apontam para a criação de
uma coordenação pró-ramo de produção, incluindo telecomunicações
e informática, que abra o debate
para a construção
de uma unidade dos trabalhadores de comunicação.
Nesse quadro, reafirmamos o nosso compromisso com a formação
profissional do jornalista, cujo ofício é cada vez mais importante
para a consolidação de um jornalismo democrático, qualificado,
responsável, ético e cidadão. Um jornalismo que realmente atenda
as demandas da sociedade em relação ao bem público que é a
informação.
Os
jornalistas brasileiros repudiam a postura repressiva do governo federal
e de seus seguidores estaduais com relação aos movimentos sociais
organizados que se levantam contra a grave crise social em que nos
encontramos. Repudiamos a reedição de mecanismos de censura e controle
da informação, aos moldes do antigo Serviço Nacional de Informações
(SNI), retrocesso que nos remete à época da ditadura militar.
Exigimos, ainda, a imediata implantação do Conselho Nacional de
Comunicação Social, conforme previsto na Constituição e engavetado há
onze anos no Senado. Dessa forma, estaremos iniciando o processo de
democratização dos meios de comunicação no país.
Salvador, Bahia,
10 de setembro de 2000
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